Sabe que tipo de pêlo tem o seu cão? E quais os cuidados?

18/06/2014
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Os cães podem ter pêlo longo, curto, duro e áspero, liso, sedoso, com dupla pelagem ou com características muito especiais. Cada tipo de pêlo exige manutenção e cuidados próprios, tanto ao nível da escovagem como do banho ou da remoção de nós. Para o ajudarmos a perceber que tipo de pêlo tem o seu melhor amigo e quais os cuidados que exige, deixamos-lhe aqui algumas dicas!

Cães de Pêlo Curto

Nesta categoria podemos encontrar cães com pêlo junto ao corpo, que não estão preparados para temperaturas extremas. Têm geralmente uma pele suave, que pode ser sensível a alguns produtos ou ferramentas de escovagem quando usadas de forma inapropriada. São pêlos finos que facilmente se agarram a tecidos principalmente na altura das mudanças de estação, quando há uma queda mais intensa do pêlo. Para ajudar a uma muda do pêlo mais rápida devemos escová-los regularmente, pelo menos uma vez por semana, com uma escova de borracha ou um pente apropriado que remove o pêlo morto. Nunca devemos usar as escovas tipo cardadeiras, pois devido aos dentes metálicos, podem ferir a pele do animal. Como exemplos de raças que se inserem nesta categoria temos: o Weimaraner, o Pinscher, o Bulldog Francês, o Labrador Retriever, o Beagle, o Pug e o Sharpei. Estes cães devem tomar banho regularmente, com uma frequência mensal.

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Labrador Retriever

Pêlo Combinado

Estes cães têm uma combinação de pêlo longo sedoso e pêlo curto liso. Com pêlo muito curto no focinho, frente das patas e no corpo e pêlo longo na cauda; formam no lombo uma saia, e atrás das patas. As zonas de pêlo longo devem ser escovadas diária ou semanalmente de forma a evitar a formação de nós. O pêlo entre as almofadas das patas é longo e tem tendência a formar nós e a agarrar todo o tipo de resíduos que há no chão, desde praganas a picos. A queda de pêlo depende do clima onde vive o animal. Quando está na fase da queda é um pêlo que se agarra facilmente a tudo e cai intensamente. A escovagem deve ser feita com escova de borracha ou escova tipo “Furminator©” (disponíveis na nossa Clínica) nas zonas onde o pêlo é mais curto, e usar pente e cardadeira nas zonas onde o pêlo é mais longo. Raças como o Golden Retriever e o Border Collie, são características desta pelagem.

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Golden Retriever

Pêlo com dupla pelagem e denso

Os cães de pêlo duplo são aqueles que têm duas camadas de pêlo: uma que está à vista e outra que está por baixo da primeira camada, que normalmente não se vê. O pêlo que está à vista é normalmente áspero ao toque. o sub-pêlo é suave, grosso e denso e tem como função proteger o cão em situações climatéricas extremas. A queda de pêlo dá-se nas mudanças de estação e pode ser intensa quando essas mudanças são mais bruscas. Os cães com este tipo de pelagem são: o Husky Siberiano, Pastor Alemão, o Malamute e o Collie.

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Pastor Alemão

O pêlo denso ou grosso é uma combinação de pêlo longo com pêlo sedoso, curto e liso nomeadamente nas patas e focinho. O pêlo comprido tem tendência a formar nós muitos difíceis de remover caso não seja escovado regularmente (diária a semanalmente). Este tipo de pelagem exige cuidados redobrados, pois caso não haja uma correcta manutenção, a pele tem tendência a inflamar e infectar porque o pêlo não permite que haja circulação de ar. A queda de pêlo é intensa nas épocas de muda. Falamos dos São Bernardo, Chow-Chow, Pequinês ou Samoiedo.

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Pequinês

Mas se estes cães perdem tanto pêlo não os podemos tosquiar para resolver o problema? A resposta é não. Tanto os cães de pêlo curto sedoso, como os de dupla pelagem, denso e combinado não devem ser tosquiados, correndo o risco de o pêlo não voltar a crescer em certas zonas e a mudar de cor, principalmente nos de dupla pelagem e pêlo denso. Além disso, a tosquia não resolve o problema da queda de pêlo, pois o pêlo que cai não é removido com a máquina. A queda que vemos é o sub-pêlo que se encontra debaixo do “casaco” de pêlo que tosquiamos. Além do mais, o pêlo todo que estes cães têm não só os protege do frio, como do calor. A tosquia só deve ser ponderada em casos extremos de formação de nós ou problemas cutâneos.

Pêlo Sedoso 

Consiste num pêlo muito curto no focinho e na parte da frente das patas, curto também no dorso e mais comprido nos lados formando uma saia, na parte de trás das patas, na cauda e também nas orelhas. O pêlo mais comprido tem tendência a formar nós devendo ser escovado semanalmente. São tipos de pêlo que criam muitos nós entre as almofadas das patas devendo por isso ser aparadas trimestralmente. O pêlo é fino e assemelha-se a agulhas, espetando-se em tudo. Os cães deste tipo podem ser tosquiados para manter a higiene e saúde do pêlo. São eles os Cockers Spaniel, o Setter Inglês, o Setter Irlandês.

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Cocker Spaniel

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Setter Irlandês

Cães de pêlo longo e/ou encaracolado

Os cães com pêlo longo ou encaracolado têm pêlos que exigem uma manutenção constante e não têm uma queda acentuada. São pêlos que podem ser mantidos longos, sendo apenas aparados e limpos para manter o standard da raça, ou tosquiados, embora a maioria dos donos prefira manter os seus cães com o pêlo curto. É um pêlo que tem tendência para formar muitos nós se não for escovado com regularidade (com escova tipo cardadeira e pente) – no mínimo três vezes por semana. Se não tiver a manutenção adequada a pele tem tendência a inflamar e criar feridas porque não consegue respirar. Estes cães criam problemas nos olhos e nas orelhas devido ao excesso de pêlo. O pêlo de dentro dos ouvidos deve ser removido mensalmente, pois caso contrário forma um rolhão dentro do ouvido contribuindo para o aparecimento de otites O pêlo entre as almofadas das patas cresce rapidamente e deve ser cortado para manter a higiene das mesmas. A tosquia destes cães, para os donos que preferem manter o pêlo aparado, deve ser feita de três em três meses e a manutenção geral – banho com escovagem e secagem, corte de unhas, corte dos pêlos do focinho e das patas – deve ser feita mensalmente. Os banhos e as tosquias regulares ajudam à renovação, tratamento e manutenção do pêlo, principalmente nos pêlos encaracolados. Este tipo de pêlo permite a realização de penteados com volume e forma. Falamos dos conhecidos Caniches ou Poodles, Cão d’Água Português e Bichon Frisé, Yorkshire Terrier, o Shih Tzu e o Bichon Maltês.

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Caniche

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Yorkshire Terrier

Cães de pêlo duro ou pêlo de arame

As expressões “pêlo duro” e “pêlo de arame”, referem-se à sua textura extremamente áspera. O pêlo é alto e espesso, não caindo rente ao corpo; o sub-pêlo é lanoso e quando não é retirado através do “stripping” quase  sobressai por entre o pêlo duro, como uma lã entre os fios ásperos do pêlo. A técnica de stripping é a mais adequada para remover o pêlo morto destes cães. Consiste numa técnica de arrancar os pêlos do cão, fazendo-lhe assim uma espécie de tosquia manual. A maioria dos donos opta pela tosquia à máquina por achar que esta técnica é demasiado invasiva e dolorosa para o animal. Na verdade, os pêlos que estamos a arrancar são os pêlos já mortos, ou seja, estes já estão prontos a sair, não causando propriamente dor mas apenas uma impressão ao animal. Não estamos a tentar arrancar o pêlo novo, estamos a obrigar o pêlo velho a sair e a dar lugar à nova pelagem. Além disso a diferença no resultado final é bastante grande, pois com uma tosquia regular com a máquina o pêlo pode perder algumas características como a dureza do mesmo e por vezes os tons naturais. Entre as raças de pêlo duro temos: Scottish Terrier, Schnauzer, Airdale Terrier e West Highland Terrier.

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Schnauzer

Tipos peculiares de pelagem

Existem duas pelagens diferentes de todas as outras e com características muito especiais e são elas:

Old English Sheepdog – Têm sub-pêlo denso e macio, como se fosse uma capa impermeável. O pêlo é armado, felpudo, sem nenhuma ondulação e de textura áspera. A pelagem deve dar a impressão de que o cão é roliço.

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Old English Sheepdog

Puli e Komondor – Estas duas raças têm uma pelagem muito peculiar. O cão dá a impressão de ter cordas penduradas ao longo de seu corpo. O pêlo é longo e encaracolado como o de um carneiro, o sub-pêlo é denso e macio.

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Puli

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Komondor

Conhecer as características do pêlo do nosso cão ajuda-nos a saber como tratá-lo, qual a escova que devemos adquirir, com que regularidade os devemos escovar e tosquiar, e como evitar problemas de pele. A manutenção do pêlo permite não só o despiste de parasitas e doenças cutâneas, como deixa o cão limpo, livre de nós e a sentir-se muito mais confortável. Consegue imaginar andar com o cabelo cheio de nós e enleado? Pois eles também não!

Um conselho Bola de Pêlo, amigos para sempre!

Patrícia VitoFoto Patricia Vito (Auxiliar Veterinária – Técnica de Estética Animal)


4 comentários

  • Paula Moura

    16/06/2017 at 11:45

    Bom dia, gostava de colocar uma questão. Tenho um Malamute do Alaska com 16 anos e nos próximos dias está previsto fazer muito calor de dia e de noite. Normalmente não me preocupo muito porque na zona onde vivo geralmente faz calor de dia mas as noite são frescas. Durante o dia ele deita-se na adega fresquinha e durante a noite vai para o pátio. Os cães desta raça podem ser tosquiados?

    Responder

    • Bola de Pêlo
      Bola de Pêlo

      17/06/2017 at 13:16

      Qualquer cão pode ser tosquiado, mesmo que seja de uma raça que não é tipicamente de tosquia. Contudo, nestas raças, pode haver depois alterações no crescimento do pêlo, e ele não crescer de forma uniforme, ou a uma velocidade mais reduzida. Também deve ter em conta que o pêlo é tão bom isolante do frio como do calor. Assim sendo, será mais útil escová-lo para remover algum sub-pêlo que tenha acumulado e não abafar tanto a pele, do que pensar numa tosquia integral.

      Joana Brito
      Médica Veterinária

      Responder

  • Beatriz

    17/07/2017 at 23:09

    Boa noite, tenho uma cadela raça cão de agua, foi tosquiada recentemente e fui informada que não deveria ter o pêlo da cabeça curto, ou seja que não deveríamos tirar-lhe a franja do olhos pois faz parte do equilíbrio…. É verdade?

    Responder

    • Bola de Pêlo
      Bola de Pêlo

      18/07/2017 at 16:27

      Boa tarde Beatriz.

      Esse ponto é um mito, apenas e não tem qualquer justificação.

      Joana Brito (Médica Veterinária)

      Responder

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