Epilepsia

19/10/2018
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Um ataque epiléptico num animal de estimação pode ser uma situação assustadora, principalmente pela sensação de incapacidade de ajudar que os donos têm quando o presenciam. Por vezes, o início da doença é súbito, mas muitas vezes por pequenos sintomas que vamos detectando, conseguimos fazer um diagnóstico precoce e ajudar os nossos amigos de 4 patas.

Causas

Nem sempre o facto de um animal ter uma convulsão significa que tem epilepsia. Doenças no fígado, rim, coração, problemas endócrinos ou até intoxicações podem causar sintomas semelhantes aos da epilepsia.

Normalmente a causa da epilepsia está localizada no sistema nervoso, a nível do crânio e pode ser tão diversa como uma malformação congénita, inflamação, tumor/metástase, alteração vascular e por vezes, a causa não é identificável e chama-se à epilepsia “idiopática”. Há raças mais predispostas para esta doença mas pode afectar qualquer animal, sendo que é mais comum em cães que em gatos. Algumas das raças de cães mais predispostas são: Pastor Alemão, Beagle, Teckel, Retrievers, Collies, Cocker, Boxer, Husky, Fox Terrier e Caniche miniatura. A epilepsia idiopática tende a manifestar-se em animais jovens; quando um animal de meia-idade ou já sénior, manifesta um ou mais episódios epileptiformes sem que nunca tal tivesse acontecido, as nossas suspeitas já se dirigem para uma possível situação primária, que não é epilepsia.

Sintomas

Um ataque epiléptico pode incluir muitos ou todos os sinais abaixo descritos, mas muitas vezes os animais só revelam um sintoma e ligeiro, que tendencialmente vem a tornar-se mais frequente e intenso. Quando estes ataques ocorrem, os animais ficam deitados de lado e manifestam:

– Hipersalivação (babam-se);

– Tremores musculares que podem chegar a convulsões;

– Ausências (não respondem quando se chama);

– Micção ou defecação involuntárias;

Por vezes, principalmente no início da doença, acontece o ataque ser rápido e os animais recuperarem tão bem, que parece não ter acontecido nada.

Quando dura mais tempo, o cuidado que se deve ter é acautelar que o animal não bata com a cabeça, para evitar um traumatismo craniano ou algum tipo de ferimento. Deve evitar-se mexer na boca pois inconscientemente o animal poderá morder de forma involuntária. Se já tem indicação do seu veterinário de medicação a fazer em SOS, poderá fazê-la mas se não obtiver resposta, deve levar o seu animal a um centro de atendimento veterinário.

Diagnóstico

O mais importante para chegarmos ao diagnóstico de epilepsia é ir construindo a história dos episódios. Anotar quando ocorrem, a sua duração, os sintomas e até eventualmente filmar um episódio de epilepsia são ajudas preciosas.

O médico veterinário deverá descartar primeiro se as causas dos episódios estão a ser provocados por doenças com origem fora do sistema nervoso (através de análises sanguíneas, electrocardiograma, ecografia, etc) e depois, recorrendo a outros meios auxiliares de diagnóstico, perceber se existe alguma causa intracraniana visível (nomeadamente TAC e ressonância magnética).

Tratamento

Existem já disponíveis vários medicamentos para a epilepsia. Também aqui a frequência e intensidade dos ataques epilépticos é a bitola para a escolha da medicação, pois a maioria da medicação que tem de ser tomada diariamente tem contra-indicações/efeitos negativos, principalmente a nível do fígado. A resposta de cada animal à medicação varia e por vezes é um processo moroso até se conseguir obter o controlo dos sintomas da epilepsia.

Recentemente foi também lançada o mercado uma ração com indicação específica para a Epilepsia – uma dieta cetogénica – que promete ajudar a controlar as crises e os sintomas de epilepsia idiopática.

Se acha que o seu animal pode sofrer desta patologia, deverá marcar uma consulta com o seu médico veterinário para poder iniciar o tratamento mais indicado o quanto antes.

Um conselho Bola de Pêlo, amigos para sempre!

Teresa Fonseca (Médica Veterinária)


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