Nós. O dilema do pêlo canino! – o que são, porque aparecem e como os removemos?

01/09/2014
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Um nó é uma massa de pêlo interligada através das fibras do pêlo. Existem vários tipos de nós, alguns mais fáceis de remover que outros, dependendo do tipo de pêlo. Alguns tipos de pêlo criam nós mais facilmente que outros, dependendo da sua constituição. Quando observado ao microscópio, um simples nó assemelha-se a um ramo com espinhos e nalguns nota-se uma espécie de farpas, características do sub-pêlo.

O típico nó consiste em pêlos grossos cruzados uns nos outros. Estes pêlos mais grossos geralmente acabam por agarrar-se aos pêlos mais soltos a partir do sub-pêlo mais fino. Noutros casos o sub-pêlo está mais agarrado à pele. Uma das razões porque os nós se tornam tão densos tem a ver com o facto do sub-pêlo crescer a um ritmo muito mais rápido que o pêlo que vemos à superfície.

Exemplo de um cão negligenciado, com o pêlo totalmente embaraçado.
Fig. 1 – Exemplo de um cão negligenciado, com o pêlo totalmente embaraçado.

É importante perceber que existem certos tipos de pelagem que têm mais tendência para formar nós, independentemente de outros factores externos. As raças com o pêlo mais fino e longo, como os Bichons, Caniches, Yorkshires e Cockers são alguns exemplos de pelagens que exigem uma manutenção regular. Além destas os cães de pêlo combinado como os Golden Retriever ou Border Collie têm áreas específicas onde criam nós, como atrás das orelhas, na parte de trás das patas e na cauda. As raças que têm uma queda de pêlo intensa acumulam pêlo morto que deve ser removido através da escovagem também para evitar a formação de nós. Ou seja, independentemente da raça de cão que tenhamos, a manutenção adequada é meio caminho andado para uma pelagem cuidada e saudável.

Existem alguns factores que podem condicionar o aparecimento de nós:

a) sujidade, poeiras e outros detritos que ficam no pêlo facilitam a união dos vários fios de pêlo e formam nós. Se forem detectados cedo, estes nós podem ser facilmente removidos com os produtos e ferramentas adequadas. O banho regular (mensalmente) ajuda a evitar este problema.

b) a electricidade estática provoca nós porque o pêlo fica demasiado seco. O uso de um condicionador apropriado irá ajudar a resolver este problema, ou então também humedecer o ambiente do animal. Contudo, demasiada humidade no pêlo também é outra razão para a formação de nós. Se um cão não é escovado regularmente e de forma apropriada, qualquer tipo de humidade – o banho, o rebolar na relva, a neve, ou nadar – podem criar nós impossíveis de remover apenas com a escovagem.

c) a compressão também é um factor determinante para a formação de nós. São comuns em animais que não se mexem muito e que passam a maior parte do tempo deitados, formando sempre mais nós de um lado do que de outro, conforme o lado para que se deitam. As áreas do corpo que se tocam entre elas são ideais para a formação de nós, pois são zonas de fricção que variam conforme o estilo de vida do animal. Estamos a falar da zonas atrás das orelhas, entre as coxas, na zona interior das patas e nos sovacos. Podem ainda surgir na cauda, orelhas e pescoço.

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Fig. 2 – Nós na cauda, do mesmo cão.

Normalmente dar banho a um cão e secar muito bem com uma escovagem completa, é uma das formas mais eficazes de remover os nós, pois muito deles são formados devido ao pó, ao pêlo muito seco e à humidade. Na maioria dos casos é melhor lavar o cão antes de qualquer trabalho de remoção dos nós, excepto se for para tosquiar. A regra é: se a água e o champô conseguirem penetrar no nó, é para dar banho primeiro, se acharmos que a água não vai entrar, mais vale primeiro tirar os nós e depois dar banho. Mas atenção! Uma vez molhado o pêlo com nós, se secarmos sem escovar, fica como uma camisola de lã lavada a quente e seca na máquina – as fibras encolhem e apertam, formando nós impossíveis de remover. Pentear este tipo de nós é extremamente duro para o animal. A única alternativa é tosquiar para depois o pêlo crescer novamente limpo.

A segunda fase do banho, que consiste na secagem e escovagem também ajuda a remover os nós. A força de um secador expulsor ajuda a abrir o pêlo e remover alguns nós, mas muitos terão que ser eliminados com escovagem vigorosa. Usando a técnica e o material correctos, este procedimento não deve magoar o animal se bem que cada um tem o seu próprio limite de tolerância à dor. A maioria reage como uma criança de 2 anos e, naturalmente, nenhum dono gosta de ver o seu melhor amigo sofrer. Por isso mesmo é essencial a manutenção em casa e os donos responsabilizarem-se por este cuidado. Quando não há manutenção em casa o trabalho do groomer (pessoa que realiza a tosquia) torna-se muito mais difícil: é mais demorado e mais doloroso e o animal fica cada vez mais relutante em ser tosquiado ou tomar banho, para já não falar da impossibilidade de realizar uma tosquia mais artística, uma vez que o estado do pêlo não permite mais do que um corte muito curto e drástico. Convém também referir que um cão habituado desde pequeno a ser manuseado – escovado, lavado e tosquiado – é um cão que se tornará muito mais tolerante ao manuseamento por parte do groomer e as idas ao banho e tosquia serão vistas de forma muito mais tranquila. Os donos destes animais devem estar conscientes de que a nossa prioridade é sempre o bem estar do animal, não só depois da tosquia, mas também durante a realização da mesma. Se o estado do pêlo do animal ou o seu comportamento não permitirem realizar o penteado desejado, faremos apenas o possível para o deixar limpo, sem nós, sem nos preocuparmos com a questão estética, pois o seu bem-estar é fundamental. Seja em que situação for, poremos sempre a humanidade em frente da vaidade. E lembre-se: o pêlo do cão é o reflexo do seu estado de saúde. Mantê-lo limpo e hidratado é o caminho certo para evitar outros problemas de saúde! Aconselhe-se connosco e mantenha o pêlo do seu melhor amigo sempre em boas condições!

Um conselho Bola de Pêlo, amigos para sempre!

Patrícia VitoFoto Patricia Vito (Auxiliar Veterinária – Técnica de Estética Animal)

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Fig. 3 – O mesmo cão, após tosquia.

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