Otites Externas

02/06/2014
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A inspecção visual e respectiva limpeza dos pavilhões auriculares dos nossos animais de estimação deve ser uma rotina semanal de forma a evitar a inflamação e infecção dos mesmos e de forma a detectar qualquer alteração evidente o mais rapidamente possível.

Causas

O excesso de cerúmen e pêlos no pavilhão auricular e conduto auditivo externo podem predispôr o animal ao aparecimento das chamadas otites externas, uma vez que cria um ambiente propício ao desenvolvimento e proliferação de ácaros, leveduras e bactérias.  Desta forma, torna-se essencial a inspecção do canal auditivo e a remoção dos pêlos e cerúmen em excesso de forma a garantir uma boa ventilação do ouvido.

As otites externas podem ser causadas por ácaros, bactérias ou leveduras. A espécie de ácaros mais frequentemente encontrada nos ouvidos dos nossos animais de estimação é a Otodectes cynotis (cão e gato) e Psoroptes cuniculi (coelhos). As otites causadas por estes parasitas são altamente constagiosas podendo ser transmitidas de animal para animal por contacto directo. Os ácaros pertencentes ao género Otodectes podem inclusivé, ser visualizados a olho nú no canal auditivo sob a forma de pontos brancos que se movimentam.

A principal levedura envolvida numa otite externa é a Malassezia pachydermatis. Esta pode ser encontrada na pele dos nossos animais de estimação em situações normais mas quando é encontrada em quantidades excessivas é indicativa de doença.

As infecções baterianas são geralmente uma afecção secundária ou a infecções por leveduras ou parasitárias que não foram tratadas atempada ou devidamente. As espécies envolvidas podem ser diversas, umas de menor gravidade (Staphylococcus spp.) e outras que envolvem uma terapêutica mais cuidada (Pseudomonas aeruginosa).

Sintomas

– Coçar as orelhas

– Sacudir a cabeça

– Cheiro ou secreção vindos do interior dos ouvidos

– Inflamação do pavilhão auricular

– Inflamação/estreitamento do canal auditivo

– Orelhas descaídas

– Dor à palpação

– Excesso de produção de cerúmen

– Presença de pequenos pontos brancos (ácaros)

– Cabeça inclinada para um dos lados

Diagnóstico

A primeira etapa no diagnóstico de otite externa envolve o exame físico do animal, não só do pavilhão auricular mas também de todo o corpo, uma vez que uma otite pode ser secundária, por exemplo a alterações cutâneas ou endócrinas que deverão ser tratadas concomitantemente. O exame com recurso a um otoscópio é essencial para visualizar o conducto auditivo externo e assim descartar a presença de corpos estranhos (por exemplo, as chamadas praganas) ou massas e assegurar a integridade do tímpano antes de iniciar a terapêutica devida. Após esta observação inicial deverá então proceder-se à realização de uma zaragatoa auricular (similar a um cotonete) para observação microscópica. Aqui poder-se-à detectar a presença de ácaros e, graças a um tipo de coloração especial, detectar a presença de fungos ou bactérias presentes no canal auditivo.

Otites - imagem acompanha texto

Figura 1: Citologia auricular positiva para a levedura Malassezia (forma de amendoim)

Em caso de haver confirmação da presença de bactérias deverá optar-se pela realização de uma cultura bacteriológica, para identificação da bactéria envolvida, e respectivo antibiograma para escolha de um antibiótico específico de forma a que seja instituída a terapêutica mais adequada.

Tratamento

O tratamento de uma otite externa é feito de acordo com a causa que se encontra por detrás. Os objectivos principais passam pela eliminação do agente implicado e pela eliminação da resposta inflamatória local causada por dito agente. Tal é possível mediante o recurso a anti-inflamatórios (incluido cortisona) e antibióticos sob a forma de gotas ou pomadas auriculares e inclusivé comprimidos. A limpeza prévia do canal auditivo antes da aplicação de ditos medicamentos torna-se indispensável uma vez que permite a correcta absorção do fármaco implicado.

Um conselho Bola de Pêlo, amigos para sempre!


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