A Importância de uma Boca Limpa

27/05/2010
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Já reparou na boca do seu cão ou do seu gato? Encerra uma fileira de dentes brancos e gengivas saudáveis, ou revela dentes acastanhados e um hálito fétido?

A Doença Periodontal é a afecção mais comum da cavidade oral. Muitas vezes menosprezada, é uma doença grave que, para além de fazer com que o hálito do seu animal não seja dos mais agradáveis, pode fazer com que ele demonstre dificuldade a comer (os dentes abanam, as gengivas estão inflamadas e tem dor) e que venha a desenvolver certos distúrbios sistémicos, como pneumonias e infecções das válvulas cardíacas.

Na boca existem inúmeras bactérias, algumas delas com capacidade de aderência ao biofilme dentário (uma película que cobre os dentes, constituída por proteínas salivares e lípidos). O cálcio presente na saliva precipita e adere à placa bacteriana, formando-se o tártaro. O tártaro é responsável pelo mau hálito e vai-se acumulando sobre os dentes, os sulcos dentários e as margens gengivais, dando origem às gengivites. Se deixarmos a doença progredir, para além da dor provocada pela inflamação da gengiva, o ligamento periodontal começa a ser destruído e os dentes começam a abanar. Numa situação extrema, há erosão alveolar (do osso em que o dente está inserido) e perda do dente afectado. Pode ainda haver passagem das bactérias para a circulação sanguínea, provocando infecções noutros órgãos.

A melhor forma de evitar este problema será habituar desde cedo o seu animal a um ritual de higiene bocal (tarefa mais fácil nos cães). Existem escovas e pastas dentífricas próprias para eles. Uma alimentação de alta qualidade à base de ração seca será uma boa medida para prevenir estes problemas, visto que ao ser mastigada a ração tem uma acção abrasiva e é menos provável que fique agarrada aos dentes. Evite ainda dar doces e restos de comida ao seu animal.

No caso de o seu animal já ter tártaro formado, a melhor solução será fazer uma destartarização. É feita da mesma forma que em nós, por meio de um aparelho de ultra-sons que quebra o tártaro. A única diferença é que os animais não ficam voluntariamente de boca aberta e também não toleram bem o som do destartarizador, pelo que o procedimento é feito sob anestesia geral.

Também por esta razão, não convém adiar a resolução do problema visto que a anestesia em animais idosos é um procedimento que representa muito mais perigo. Durante a destartarização, os dentes que estão a abanar são também extraídos. Após a limpeza da boca, poderemos aconselhar a aplicação de ceras dentárias ou pastas dentífricas ou ainda a mudança para uma dieta apropriada para problemas orais. Desta forma, tentar-se-á atrasar a formação de novo tártaro e manter a boca do seu animal limpa e sã.

Um conselho Bola de Pêlo, amigos para sempre!

Joana BritoFoto Dra. Joana Brito (Médica Veterinária)


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